Vitorino

Vitorino nasceu no meio do Atlântico, na bonita ilha da Madeira. Diz que o Funchal é o melhor sítio para viver no mundo e que o Marítimo não tem rival. Não será isto uma afronta à cidade de Lisboa? Vamos perceber…

Da capital da Madeira, para a capital de Portugal, o salto foi gigante. Mas sempre com o atlântico na equação. Está aqui para estudar Gestão Portuária e para continuar a sua ligação ao mar. A escola náutica em Oeiras é um dos locais onde passa a maior parte do seu tempo. Vem raramente a Lisboa, cidade que considera mais movimentada e insegura do que a sua terra.

Do Funchal fala com carinho e algum fervor. Considera-a uma cidade fantástica para passar uma vida: calma, tranquila e segura. Está no meio da ilha, com acessos privilegiados aos quatro cantos da Madeira e plantada mesmo à beirinha do oceano. Há poucas vistas tão inesquecíveis com o magnifico anfiteatro natural que é o Funchal. Nas noites de ano novo, quando vista do mar, vestida de gala com as cores do fogo-de-artifício, há poucos lugares no mundo que lhe equivalem em beleza. Depois há os Madeirenses, um povo para quem a amizade e a união são características fundamentais.

E qual o sítio mais especial da sua ilha? “A Praia dos Anjos, mesmo antes de chegar à Madalena do Mar”, responde de imediato. É um sítio bonito, calmo, com um barzinho à beira do mar onde gosta de estar. Em termos de experiências, recomenda a quem visita a sua terra que não perca os ícones da sua gastronomia: o bolo do caco e a poncha. E onde se bebe a melhor poncha da Madeira? “Na Ribeira Brava”, responde de novo, sem gastar mais do que um segundo. “Então não é no Poiso e na Serra d’Água”, pergunto-lhe.

A poncha da Ribeira Brava tem história na sua vida. Foi jogador de futebol, no Marítimo, e lembra-se de após um jogo ter ido a esta terra da costa sul madeirense beber o delicioso néctar, feito com uma medida de aguardente de cana-de-açúcar, duas de sumo de limão e mel (de abelhas) a gosto. O futebol, também o levou a um dos países que mais gostou: a Noruega. “É completamente diferente daqui. Lá também existem várias culturas e a maneira das pessoas encararem a vida é completamente distinta. Saem de casa mais cedo e parecem ter a capacidade de perceber o que querem da vida de forma mais desembaraçada”, partilha. O povo norueguês pareceu-lhe um verdadeiro amante do ser independente.

Se fosse um super-herói, gostava de ter o poder de se tele-transportar. Assim poderia viajar sem limites e sem ter de perder tempo na viagem. E se fosse professor, o que gostava de ensinar? “Tudo”, responde com convicção. “Conhecimento é poder. Com boas bases, conseguimos chegar a todo o lado”, partilha. “Quanto mais soubermos, melhor iremos estar preparados para a vida” é certamente uma das suas frases que lhe alumia o caminho. Considera que a educação em Portugal é boa e que os professores são capazes e têm o conhecimento, inclusive do mundo fora da faculdade, necessário para indicar o trilho certo aos seus alunos. Para além da teoria, há sempre tempo para debater exemplos do mundo real. E isso, é fundamental, considera.

Os bons professores, mais do que semeadores de palavra, são lideres e exemplos que gostamos de seguir. Tal como os bons treinadores que usam o maravilhoso mundo do desporto para fazer crescer as competências físicas e de autoconfiança dos jovens. No final de uma época, o seu treinador Duarte Luciano, chegou ao pé de si e confidenciou-lhe que não estava à espera que o Vitorino fosse capaz de dar tanto como o fez naquele ano. Uma frase simples, mas que dita no momento certo e no contexto certo pode fazer toda a diferença na vida de um homem.

Terminamos à volta dos livros, ao jeito do professor Marcelo. Peço-lhe que me recomende um título para ler nas férias de verão. Um daqueles que tenham ficado impregnados, de forma perene, na sua memória. A sua escolha cai sobre a obra de Pedro G. Ferreira “Uma Teoria Perfeita” que conta histórias à volta da teoria da relatividade de Einstein. E porque é que este livro o marcou? “Não conhecia este assunto. Fui à procura de conhecimento!”, responde. Lá está, conhecimento é poder!