Tiago

Tem uma relação agridoce com a cidade de Lisboa. Quando veio para a capital, com o objectivo de completar o seu doutoramento em Ciências Biomédicas, trazia na bagagem, além de uma grande vontade de trabalhar, a noção de que Lisboa era uma cidade confusa.

“Especialmente para quem vem de um meio mais simples como o Algarve”, completa. Mas depois de uns tempos por cá, foi descobrindo que, afinal, é um lugar muito bonito, com os seus miradouros e a sua arquitectura que atravessa quase 10 séculos de história. “Quem vem de visita, com este preconceito de que Lisboa é difícil, raramente sai daqui com uma visão diferente e torna-se difícil sentir a beleza deste lugar. É preciso passar tempo aqui para conhecer realmente Lisboa e descobrir o quão especial é esta cidade”.

Mas nem tudo são rosas no que diz respeito à terra dos alfacinhas. “O maior desafio de cá estar é mesmo a calçada. É horrível caminhar em Lisboa… No fim os pés ficam todos doridos”, diz com um sorriso. Do seu Algarve tem saudades da praia. Embora aqui perto também exista mar, as praias a sul continuam a ser-lhe muito especiais. Também sente a falta de se poder movimentar a seu belo prazer. Pegar no carro e sentir que é dono do espaço, algo que aqui em Lisboa não tem a oportunidade de fazer.

O seu futuro passa pela biomedicina. O doutoramento está quase a chegar ao fim e é tempo de pensar o que estará para lá dos portões da universidade e do sector público. “Já consegui experimentar durante alguns anos como é trabalhar para a entidade pública. Agora, gostava de ingressar numa empresa privada que me desse a oportunidade de continuar a fazer investigação; ou mesmo trabalhar numa área que não a investigação, mas que esteja relacionada com a saúde”, partilha.

Mas o que é isto da biomedicina? “Basicamente é a ponte de ligação entre a comunidade médica e científica. Em Portugal é uma área muito recente e está a ser um desafio para todos os licenciados conseguirem implantar-se no país. Mas o objectivo é mesmo criar as condições para que as investigações que se fazem na área da saúde consigam ser implementadas no terreno e possam chegar a todas as pessoas de forma consistente”, explica. “Já que o dinheiro investido é público, convém que todos beneficiem da investigação que é conduzida”, conclui.

Agora que já percebemos melhor o que o move em termos profissionais, vamos deixar a medicina e mergulhar naquilo que gosta de fazer nos seus tempos livres.

“Gosto muito de viajar. Gosto muito de cozinhar. Gosto muito de desfrutar a natureza”, diz de rajada.

Vamos então por partes, começando pela mais saborosa. Cozinha de tudo um pouco, mas é a comida internacional, em especial italiana, que mais o apaixona. “Gosto de fazer as massas, o pão… gosto de trabalhar com os ingredientes mais simples e construir a partir daí”, partilha. É a sua paixão pelas viagens a temperar o seu gosto pela culinária. E se amanhã tocássemos à sua campainha à hora do almoço, o que prepararia para nós? “Tenho lá uns ingredientes que trouxe agora do México, por isso podia fazer uns tacos e umas tortilhas”. Bom, já estamos com água na boca. Nós levamos as Coronas!

E que música para acompanhar isto tudo? Tiago demonstra, uma vez mais, o seu gosto ecléctico. Ouve de tudo um pouco, embora atualmente passe mais tempo de volta do Indie, do Folk e do Country. “The Head and The Heart“, “James Bay” e “Mumford & Sons” são alguns dos nomes que passam nas playlists lá em casa.

A comida volta à nossa conversa de forma inesperada. Quando lhe pergunto do que é que nunca vai abdicar na vida, responde surpreendentemente: “De tomar o meu pequeno-almoço de forma descontraída para começar bem o dia”. Para si, é a parte mais importante da jornada. Se não a começar desta forma, dificilmente irá correr da forma que deseja. “Posso ter de acordar duas ou três horas antes de sair de casa para conseguir fazer isto, mas é muito difícil abdicar deste hábito”, diz com simpatia.

Considera que o maior atentado à liberdade é a falta de bom senso das pessoas. Hoje em dia, reivindica-se, de forma por vezes inadequada, o direito à liberdade individual. Como dizia um grande amigo em jeito de ironia, “o importante é que cada um sinta, pense e consiga fazer aquilo que lhe apetece!”. E quando essa liberdade de cada um transborda, cometem-se atropelos à liberdade de todos os outros. É o bom senso que deve imperar em tudo isto para que o velho provérbio “a tua liberdade acaba onde começa a do próximo” possa continuar a ser defendido.

Terminamos com cinema, mas não com uma obra qualquer. Se a sua vida fosse um filme, que título lhe daria? “Uma Vida Simples”, diz depois de pensar durante alguns momentos. E como é que ia acabar? “To Be Continued…“, diz entre risos. “Com um final que permitisse uma sequela”.