Sílvia

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Este breve segmento do poema ‘Voz que se cala‘, de Florbela Espanca, está gravado há muito na sua memória. Define muito daquilo de que é feito o seu ser, lembrando-lhe constantemente o que verdadeiramente importa na vida. Representa as coisas simples que fazem o dia-a-dia de cada um de nós. São “as pequenas bênçãos diárias” que nos fazem levantar da cama e ir trabalhar, ter força para enfrentar as nossas vidas, que nos abraçam em família e nos alimentam. “Tudo o que torna a vida com valor”, diz com uma serenidade contagiante.

Gosta de estar na natureza. De caminhar, de “ir para os montes”, de a explorar. É escuteira desde sempre, “desde a barriga”, como afirma carinhosamente, e lidera grupos de jovens com quem parte à descoberta dos oásis de Portugal. Um desses locais, que recorda com saudade, fica perto de Vila Nova de Milfontes. Esteve lá numa actividade e foi extraordinário. Descobriram pântanos que nem sonhavam existir, flores que cobriam aldeias, imensa fauna que cantava só para eles. É sem dúvida um tesouro dos mais bens guardados de Portugal. “Como deve haver tantos”, confessa…

Desta vez, o génio da lâmpada decide aparecer a meio da nossa conversa. Traz, como habitualmente, um desejo para a pessoa que a minha retratada mais ama. E o que pede Sílvia? Uma viagem… uma grande viagem de balão à volta do mundo; é esse o maior sonho da pessoa que mais ama, pois sabe que ela adora viajar.

E por falar em sonhos, qual é o seu sonho? Sorri… em resposta à pergunta. Talvez porque os sonhos não se contam…

Tem muito a ver com a sua carreira. É ‘quase’ psicóloga – falta-lhe apenas a tese de mestrado – e o seu grande sonho é estar envolvida numa acção comunitária. “Seja onde for, pode ser na Índia ou aqui”, partilha. O importante é sentir que está em casa e que pode ter a felicidade de fazer parte da vida das pessoas de forma positiva. “Tenho muita paixão por isso”, sublinha com serenidade e vontade e por isso tem já tudo o que precisa para vencer as dificuldades associadas a um projecto desta natureza.

Se fosse dona do mundo, por uns tempos, gostava de perceber como é que os sistemas de irrigação e cultivo estão a chegar aos países onde há fome a sério. “Investia tudo nisso”, confessa. “Em engenheiros, em gente realmente interessada… em bolsas gigantes para que verdadeiramente acontecesse essa redistribuição alimentar”.

Quando a interrompi, estava a ler um livro de estudos bíblicos. É crente e a fé é o fio-de-prumo da sua vida. Acha que “o mundo está dividido e cada vez mais polarizado entre pessoas que sabem e sentem que se não se agarrarem a algo maior do que si próprias a sua vida não tem qualquer sentido ou propósito e pessoas para quem a autossuficiência tem uma importância tremenda”. Gente para quem a sua inteligência é tudo o que precisam para viverem e vencerem. São estes dois polos que considera estarem cada vez mais extremados.

Para finalizar a nossa conversa, voltamos aos livros. Pergunto-lhe que obra levaria na sua viagem para a Índia, para além da essencial Bíblia. “Levava um livro fantástico que li chamado ‘Os Sete Princípios do Casamento‘ de John Gottman. “É um livro que fala sobre os erros e as soluções da comunicação humana”, reflecte. “Um livro sobre os Quatro Cavaleiros do Apocalipse das relações humanas”. Ora aqui fica uma excelente recomendação para todos nos conhecermos e entendermos melhor.