Rita

“Devíamos todos parar um pouco e analisar-nos. Tenho a convicção que, se pararmos todos, para nos estudarmos em conjunto, vamos descobrir energias diferentes e muito interessantes”. Esta é a mensagem que gostava de deixar ao mundo. Um recado que convida à introspecção e à descoberta do que, em conjunto, conseguiríamos certamente mudar.

Quando era pequenina, sonhava ser bióloga marinha. Gostava muito de golfinhos e o seu amor por eles era tão grande que era suficiente para comandar o seu futuro. Mas depois apercebeu-se que o mar tem algas e que “detesta algas”, confessa entre sorrisos. Depois quis ser professora, pois gostava muito de escrever. Acabou por ir parar ao curso de Direito, acreditando que lhe vai permitir “aprender a ler as pessoas, aprender a ler as situações e a tirar o maior partido delas”. O seu sonho passa pela procuradoria ou pela investigação criminal, ainda no intuito de perceber o mundo que gira à volta das atitudes das pessoas, mas sempre fora da barra do tribunal.

Olha para Lisboa como uma cidade cosmopolita, mas que conserva um manto de acolhimento que lhe confere uma aura de grande aldeia. “Com o tempo, nós conseguimos conhecê-la minimamente e descobrir as suas dinâmicas”, partilha de forma serena. E são essas dinâmicas que fazem da cidade um local verdadeiramente especial e uma fonte de diversidade cultural intensa. Fala dos bairros e do bairrismo como uma característica fundamental da capital. “Cada pessoa é aguerrida dos seus hábitos e das suas tradições e sabe muito bem como defende-los”, conta do seu modo de ler Lisboa. Considera Alfama e Mouraria os exemplos mais perfeitos desta alma bairrista, duas aldeias dentro da grande aldeia que vale verdadeiramente a pena descobrir.

Quando faz de guia turística para os amigos, gosta de os levar para perto do rio. Zonas como a Expo ou, as mais tradicionais, Santos, Belém e Baixa são lugares de eleição. Também gosta muito do Príncipe Real que considera muito bonito. E aquele lugar só da Rita, onde gosta de se perder no tempo? “Os Jardins da Gulbenkian, sem dúvida!”

Das características menos boas da capital, aponta o barulho como a principal. “Acaba por ser barulhenta e stressante, pelo cumular de centro de trabalho e de negócios que acabou por se transformar”, confessa.
Embora tenha nascido fora de Lisboa, olha para si já como uma habitante de pleno direito da cidade que escolheu para morar. Dos Lisboetas, acha que ainda têm que perceber como ser um pouco menos “virados para si”. Em contraste com as pessoas do norte, ainda têm de aprender um pouco com as pessoas lá de cima como ser mais acolhedores. Mas, apesar disso, “são boa gente”, acaba por dizer.

O sol, a família e os amigos ocupam lugar de destaque na matéria de que é feita a sua felicidade. Adora sentir o sol a tocar-lhe no rosto e a aquecer-lhe a alma. Em especial, naqueles momentos de tranquilidade que procura para si ao longo da semana. Mas são também os sucessos que colocam os marcos quilométricos no caminho da sua vida que contribuem para que seja uma pessoa com vontade de sorrir. A entrada na faculdade foi um dos últimos que se recorda e que lhe permite sentir que alcançou mais um objetivo.

Nos tempos livres, gosta de ler, de caminhar – em particular pelas zonas verdes que Lisboa vai oferecendo -, de jogar jogos no computador e de passar tempo na Associação de Estudantes da qual é vice-presidente. Há sempre um mundo de coisas para fazer!

Gosta muito de música. Sente que há sempre um título perfeito para cada estado de espirito que atravessa. Vamos então fazer um jogo. Um título para quando está feliz? “Rude“, dos MAGIC!. Outro para quando está mais contemplativa? “As Quatro Estações“, do Antonio Vivaldi. E de manhã, para acordar? “Ai, nada. Silêncio!”, atira com um sorriso. De manhã acha que é muito “irritadiça” e por isso o silêncio é fundamental para alcançar rapidamente o equilíbrio que precisa para vencer o dia.

Terminamos então a falar baixinho… O silêncio, a par com a música, é muito importante na sua vida. “Acho que desde que cheguei à faculdade e a Lisboa, o ritmo tornou-se tão mais acelerado que, de quando em vez, há determinados momentos de silêncio que são profundamente importantes para restabelecer”, sussurra de forma inteligente. Façamos então um brinde, baixinho, ao silêncio e à sua capacidade regeneradora!