Paulo

Quando era pequeno, sonhava ser veterinário. Era a sua paixão pelos bichos a alumiar o seu caminho, junto com o facto de nunca ter tido um animal de estimação quando era menino. Depois, estudou línguas e literaturas modernas no início da idade adulta.

Hoje, está no ramo das tecnologias de informação e não se arrepende nada das escolhas que a vida o levou a fazer.

O verbo escolher está definitivamente na sua génese. Embora a família e os amigos sejam suficientes para o fazer feliz, são os projectos pessoais aquilo que mais o apaixona. Escolher fazer algo e depois lutar para o concretizar é coisa que o deixa bem com a vida. O facto de ter escolhido a sua casa num local que o apaixona e de ter conseguido tratar de tudo para que as paredes o abraçassem no final é um exemplo perfeito da sua determinação.

E onde será esse local? Aqui em Lisboa? A resposta é não. Mas gosta muito da sensação de espaço que a capital lhe transmite. O facto de não existirem prédios muito altos, faz com que as vistas sejam desafogadas e que os lugares possam respirar. Por essa razão, sítios como o Marquês, Amoreiras ou o Saldanha estão no topo das suas preferências. Mas também gosta da Baixa e de se perder nos seus becos e ruelas, essas sim, um pouco mais fechadas e claustrofóbicas. Há um charme especial na zona velha da cidade que contrapõe, de forma perfeita, com o carácter mais aberto do resto da cidade. É aí que costuma levar os amigos que vêm de visita à capital: “Começando pelos Restauradores, Rossio, Chiado e depois continuando até ao Terreiro do Paço. Depois sobe-se ao Castelo e no fim voamos até à zona de Belém que é verdadeiramente especial”. No fim disto tudo, nada melhor que voltar à Baixa para um bom repasto num dos seus restaurantes favoritos: o Café Buenos Aires.

E do que é que não gosta? “Do trânsito! É horrível”, partilha. Chega todos os dias à cidade do Tejo através dos transportes públicos e, por isso, não precisa de saber o que é conduzir em Lisboa. Mas o que assiste através da janela é suficiente para o fazer adorar cada vez mais a sua Mafra. “É um sítio muito pacato e que tem uma coisa que eu adoro: o Convento”, diz serenamente. Um Convento cheio de história e que está sempre replecto de pessoas. Ainda assim, não as suficientes para lhe roubarem algo que tanto preza: o sossego. “Já não conseguia viver aqui no meio da confusão”, partilha enquanto conversamos no coração da capital. “Gosto de chegar ao fim de semana e poder usufruir do silêncio, da minha casa”, conclui.

Quanto está em Mafra, aproveita para dar um salto à praia, ali tão perto. Também gosta de ficar em casa a ver televisão e, em especial, séries. Aliás, as séries são mesmo uma das suas grandes paixões. Passa muito tempo a descobrir títulos novos, daqueles que as pessoas normalmente não veem, mas que o maravilham por serem diferentes e mostrarem o mundo de perspectivas novas e incríveis. Neste momento está a ver “Sense8”, dos irmãos Wachowski, lançada pelo serviço de streaming Netflix há sensivelmente um mês. Uma série que recomenda sem reservas e que conta a história de 8 pessoas de culturas e partes do mundo diferentes, mas que estão ligadas entre si de uma forma que se conseguem sentir, comunicar e usar as habilidades de cada um. Verdadeiramente apaixonante.

E o que é que o preocupa neste mundo em que vivemos? “Preocupa-me o facto do dinheiro ter tomado conta da vida das pessoas e dos países”, confessa. Hoje em dia, o mundo dá importância excessiva aos mercados, ao preço das coisas e ao dinheiro que transita não se sabe bem para onde, desaparecendo para mãos que são sempre invisíveis aos olhos da maior parte da população. Preocupa-o também a forma como estamos a tratar do planeta em que vivemos: “Acho que não estamos a ter os cuidados devidos em atenção a quem vem a seguir a nós e que vai cá estar quando partirmos”, reflecte. Mas é mesmo a questão financeira que mais lhe assalta as preocupações acabando mesmo por partilhar que “as pessoas não têm noção do problema que estamos a gerar. O dinheiro não desaparece; ele simplesmente transita de um lado para o outro. Por detrás da dívida da Grécia, há alguém ou algum país que arrecadou o dinheiro que falta aos gregos, pois não há pessoas a queimar dinheiro no quintal”, afirma. Pensa que o principal busílis da questão é saber para onde está a ir todo este dinheiro…

Acabamos à volta de uma pergunta difícil: qual foi a coisa mais fantástica que já lhe aconteceu na vida? “Hummm… Não sei… Já aconteceram algumas realmente especiais, mas acho que a mais admirável está mesmo para acontecer”, partilha com um sorriso. Seria o final perfeito para o filme da sua vida!