Paulo

A coisa mais espectacular que lhe aconteceu na vida foi o nascimento da sua filha.

Lembra-se, de forma cristalina, da primeira vez que viu a Madalena, de olhos abertos, à procura do mundo. Foi um momento de emoções fortes, daqueles difíceis de colocar em palavras. “Até aqui, nunca pensava muito no futuro. Pensava no momento, ia vivendo, nunca me preocupando com o que podia acontecer. Desde que ela surgiu, comecei a pensar mais nisso, a ter em conta o que pode acontecer amanhã, pois sei que vou ter ao meu lado alguém por quem vou ser responsável até ao fim da vida”, confessa.

Se tivesse de lhe dar um conselho, gostava que fosse: “segue sempre os teus sonhos. Acredite sempre em ti e vai até ao fim do mundo atrás desses sonhos. Até pode ser a coisa mais absurda do mundo, mas se acreditares, deves mesmo ir ao fundo de ti”.

Paulo considera-se uma pessoa feliz. Quando algo não está bem, procura afastar essas más energias da sua vida, sejam elas actividades ou pessoas. Está sempre à procura de coisas novas e adora aprender e conhecer. E enquanto esta sede e esta fonte de conhecimento não se perderem, será uma pessoa feliz. Tem bons amigos, uma família que gosta de si e tudo o resto é supérfluo. O importante é mesmo o ter acesso a ser mais e melhor. E essa é também uma das razões porque nunca deixou a cidade do Tejo.

Lisboa é um cidade bonita, onde o sol é o morador mais acarinhado de todos. Embora seja a capital do país, é relativamente pequena e onde nos deslocamos com facilidade. “É um local onde tens acesso a tudo, em especial formação, algo que é muito importante para mim. Encontras sempre um workshop ou um curso sobre qualquer área que te interesse”, partilha. O sítio onde vive, também lhe permite ver e viver a terra que escolheu para trabalhar de outra forma. “É um bairro que parece uma aldeia em si mesmo, onde as pessoas se conhecem e se cumprimentam. Conheces o merceeiro e a senhora da farmácia. Há uma relação de proximidade muito grande entre as pessoas do bairro”, confessa.

Alvalade é sem dúvida o seu sítio de eleição para viver, mas reconhece que a zona da Baixa é, por certo, o local mais bonito. O Chiado, a Mouraria, as ruelas mais íngremes e pitorescas de Alfama, toda esta área mais antiga rouba sem dúvida o protagonismo a todas as demais e com muita razão.

E do que é que não gosta em Lisboa? “Do estacionamento, caótico… e do facto de o custo de vida ser um pouco mais caro do que no resto do país”, reflecte.

Deixamos agora Lisboa para viajar um pouco sobre as coisas que o apaixonam. Em especial, duas: a fotografia e a bricolage. Mas o que é que uma coisa poderá ter a ver com a outra? Bem, vamos por partes.
“Adoro fotografar pessoas”, diz com convicção. Olha para a fotografia como um perpetuar de memórias, como o registo de emoções e de momentos singulares. Sempre com as pessoas no centro da imagem, pois são elas que o fazem querer registar esses momentos. Ao contrário da maior parte dos fotógrafos, não tem uma câmara desde pequenino e não sabe bem como aqui veio parar. Quanto começou a trabalhar, os pais ofereceram-lhe uma máquina fotográfica (uma Nikon F50) e pensa que tudo começou aí. Estava nos Açores e pareceu-lhe o local ideal para começar a registar a beleza do planeta. Desde então, foi intercalando com períodos mais ou menos intensos, incluindo quatro anos em que estudou arquitectura e onde o tempo para fotografar – entre trabalhar e estudar – era quase nulo. Quando o sonho de ser arquitecto fez uma pausa, voltou à fotografia e desde então nunca mais parou, tendo iniciado um percurso no mundo da fotografia social que está sempre a enriquecer com experiências de formação, ao mesmo tempo que fotografa em eventos para o qual é contratado. Podem conhecer o trabalho do Paulo neste site: paulomainha.com.

Mas para além da fotografia, sempre gostou muito de trabalhos manuais. Sempre o fascinou “poder pensar, ser criativo e experimentar novos materiais”. E foi assim que nasceu o projecto Sardine. Um projecto que alia o seu gosto pela bricolage com a sua paixão pela fotografia. A Sardine é uma marca de produtos feitos em pele, à mão e com muito amor e dedicação. Entre as peças mais procuradas estão as correias para as câmaras fotográficas, as carteiras ou os porta-cartões. Mas porquê Sardine? “É um elemento característico da cidade de Lisboa e da cultura portuguesa. A sardinha assada é aquela coisa que toda a gente conhece… uns amam e outros odeiam, mas é um símbolo incontornável da nossa matriz”, partilha. Quer levar este bocadinho da cultura portuguesa por esse mundo fora e daí também o estrangeirismo no nome. Neste momento, vai tentar promover, com os seus produtos, as duas principais cidades portuguesas (Lisboa e Porto) e concentrar os seus esforços em divulgar o seu trabalho nessa vertente. Para já, podem começar por fazer um like nesta página de facebook: facebook.com/sardineleathergoods. Aceitam-se encomendas!

Acabamos à volta dos livros. Um dos últimos que lhe ficou na memória conta histórias a volta da colonização da Austrália e da forma como se trabalhavam os materiais que se iam descobrindo. O título? “A Viagem de Morgan” de Colleen McCullough. É apaixonado por livros de aventura, com ou sem capa e espada! E de super-heróis. E se tivesse um super-poder, qual seria? “Não precisar de dormir!”