Márcia

Gosta de se perder por entre o verde de Lisboa, à procura de instantes que guarda com a câmara do telemóvel. Hoje, isso já não é possível – a bateria esgotou-se -, mas nada a vai impedir de usufruir de um final de tarde tranquilo, na companhia de um bom livro. Na contracapa pode ler-se: ‘A vida pode mudar num segundo.’

A luz do fim de tarde ilumina-lhe os olhos cor de avelã, num dourado com que só Lisboa consegue tingir. E é neste contexto sereno que procura o título para um filme; a longa metragem em que protagoniza a personagem principal. “À Procura de um Lugar”, partilha com um sorriso. E passa a explicar a razão. “Cresci em Alcobaça e fui estudar para o Algarve. Quando acabei os estudos, comecei a trabalhar a Sul, mas não me sentia como em casa. Decidi então vir viver para Lisboa”. Está na cidade das sete colinas há um ano e gosta muito de aqui viver. Mais do que imaginava ser possível. Ainda assim, há qualquer coisa que continua a faltar. Pode ser o tal lugar, mas pode ser algo mais.

E como pensa que este filme vai terminar? “Com um final feliz”, diz com uma certeza inabalável. “Vou encontrar o meu lugar!” Na vida, acrescentamos nós! Um final digno do melhor filme de Hollywood.

Deixando a ficção de lado e pegando de frente a realidade, imagina-se aos comandos do Planeta por um período de tempo. O que fazia? “Tanto… Nem sei bem por onde começar… Há tanta coisa por fazer!” Como teria de começar por algum lado, talvez virasse o seu olhar para os pedaços mais pobres do mundo, onde as pessoas não têm acesso ao mais elementar cuidado básico. Aos lugares onde falta a água para beber, o pão para comer, a cama para descansar. Seria até aí que iria estender o seu abraço. Um abraço onde a partilha e a humildade seriam os alicerces para uma governação que iria exercer através do seu próprio exemplo.

Quando for velhinha, espera estar bem física e psicologicamente. Não gostava nada de ter que depender de alguém para continuar a viver. Ter de estar a dar trabalho a alguém… isso não! E espera ver as pessoas à sua volta, em especial os filhos e os netos. “Não quero ter uma velhice isolada, como, infelizmente, acontece tanto hoje em dia”.

E os livros? Esses, vão sempre acompanhá-la. Considera a literatura um universo apaixonante e que se adapta, de forma perfeita, aos gostos pessoas de cada um. “Eu prefiro as histórias verídicas”, partilha. Um dos que mais gostou e que aproveita para sugerir a leitura é o título ‘Nunca me Esqueças‘ de Lesley Pearse. E é isso mesmo que vamos tentar fazer!