Linda

“Não sejam rápidos; sejam lentos a fazer as coisas. Não tenham pressa de viver a vida. E não se limitem a olhar: observem”. Esta é a mensagem que quer partilhar com o mundo. A mensagem de alguém, para quem o futuro é um livro em branco onde quer escrever o seu nome.

Na magia dos seus 17 anos, se há algo que a faz perder, por completo, a noção do tempo são os tachos. “Gosto de estar à frente do lume”, partilha com paixão. O seu sonho passa por ser uma grande chefe, com restaurantes abertos um pouco por todo o mundo. Até já sabe como se vai chamar essa cadeia de fazer crescer água na boca: “A Comida da Linda”. Se amanhã nos convidasse para jantar, gostava de fazer um risoto de cogumelos e espargos. Para a sobremesa, uma deliciosamente simples mousse de chocolate caseira.

Embora o seu futuro passe pela culinária – está a estudar para isso – quando era pequenina, queria ser cantora. “Tinha sempre o hábito de cantar no banho”, partilha. Imitava a Beyoncé, de quem pensamos herdar também a beleza, e outras divas do R&B, como a Rihanna. No entanto, quando lhe pergunto qual o disco da sua vida, a sua escolha vai para o ícone do reggae: Bob Marley.

Pela forma como fala comigo, nota-se que está bem com a vida. “Sou uma pessoa que ri com facilidade”, confessa. Está sempre bem-disposta e há muita coisa que a faz feliz, em especial as coisas simples da vida. “Se alguém está bem, eu também estou bem”, diz com um sorriso. “Em especial, os meus avós”.

Os seus avós são muito importantes para si e tem o privilégio de os ter sempre ao pé de si. Da avó Olinda, herdou o gosto pela cozinha. Foi dona de uma pastelaria e é uma fabulosa cozinheira. Espera um dia poder seguir-lhes as pisadas. O seu avô Joaquim é uma pessoa extremamente alegre e é isso que tenta pedir-lhe emprestado para a sua própria personalidade. Dos dois, há uma coisa que adorava roubar, mas que ainda não conseguiu: a infinita paciência.

Falando ainda de comida, mas num tom um pouco mais sério, se estivesse à frente dos destinos do mundo iria concentrar os seus esforços em garantir que “ninguém passava fome”. Considera que todo o mundo devia ter acesso aos dois bens mais elementares: alimentação e água. Por outro lado, se tivesse os poderes para tal, aproveitava também para destituir o governo português, substituindo-o pela sua família. “Somos todos bondosos e o que falta a quem manda neste país é humildade e pureza de coração”, diz de forma assertiva.

É também nesta linha de pensamento que filosofa, quando lhe pergunto o que gostava de ensinar ao mundo. “A ser bom e a ter menos pensamentos negativos”, responde com a convicção de quem está à altura de tamanha tarefa. Para isso, precisava de ser uma fada madrinha e não uma professora, mas era isto que gostava mesmo de fazer: transformar uma classe de diabinhos em pessoas de integridade total, semeadores do bem e da justiça.
Ensinar bondade ao mundo seria certamente uma coisa nova, tão nova com a que acabou de fazer há umas semanas na Doca de Predouços, em Algés: paddle surf. Nunca tinha feito e adorou. Fez com a sua turma no âmbito da Volvo Ocean Race e está pronta para repetir a experiência. E também pronta para experimentar coisas novas pela primeira vez na vida!

De Lisboa, adora o movimento de uma cidade que nunca está parada. Adora os parques e os autocarros que passam, as cores que tingem a capital de verde e amarelo, a comida e os seus aromas. Há sempre algo a fazer mexer Lisboa e as pessoas que por cá passam. “Aqui, parece que estamos sempre a viajar. É outro mundo”, diz de forma espontânea.

Adora estar junto ao rio, onde vai buscar a calma e a inspiração para outra das suas grandes paixões: a escrita. “Quando estou inspirada, escrevo muito. Rabisco poesia e textos sobre o dia-a-dia das pessoas”, partilha. As pessoas são a fonte onde vai beber o alento para escrever; as pessoas e aquilo que elas lhe fazem sentir.

E não quer partilhar um poema connosco? “Claro que sim”, responde com um sorriso.

Já não sei o que sinto,
Já não me sinto bem.
Será que sigo o meu instinto,
Ou se vou atrás de quem me quer bem.
Caminho no escuro.
Desculpa meu amor.
É tudo tão obscuro,
Mas eu só sinto dor.
Não sei explicar,
Só quero esquecer.
Não quero mais falar da palavra amar.
Apetece desaparecer.
Um dia estou bem,
Outro dia estou mal.
Juro que não estou em mim.
Às vezes pergunto se tu és o tal.
Tem dias que és a minha maldição,
Outros que só te quero abraçar.
Tem dias que és a minha bênção,
Outros que só apetece chorar.

Terminamos esta conversa com uma frase que Linda vai buscar ao tudo e ao nada: “Gostava de ser lembrada”. Não sabe ainda se pela cozinha, se pela poesia. Mas pede ao futuro que espere por si. “Eu vou lá chegar”, remata de forma resoluta.