Juan Pablo

A primeira vez que esteve em Lisboa foi em 1995. Na altura, veio dar o seu contributo, como realizador, para o programa da TVI ‘Amigos para Sempre‘. Desde então, volta frequentemente, sempre que os seus projectos se cruzam com a capital portuguesa. Em Janeiro, decidiu que era tempo de vir morar para cá.

Partilha o seu tempo com a alegria e a vontade de quem já correu o mundo, com a força do seu trabalho. É fotógrafo e realizador. É artista. Sente que todos os dias faz coisas novas, nem que seja olhar para as pessoas como se fosse a primeira vez. São estas pessoas a razão de estar em Lisboa. Não é a decadência charmosa de uma cidade outrora capital de um império que o atrai. Nem são os edifícios de grande beleza arquitectónica ou a matéria que perdura no tempo. “O que me encanta são as pessoas. É o efémero de Lisboa”, confessa com a sinceridade de alguém que ama realmente o ser humano.

A fotografia é, sem dúvida, a actividade que lhe rouba mais tempo. Ou melhor, que lhe dá. “É a única forma de ficar com o tempo na mão!”, partilha com paixão. Considera que existe o antes e o depois da fotografia, tal como há o antes e o depois da Internet. A fotografia oferece a capacidade de reter o tempo. “Parece uma coisa simples, sem importância, mas quantas vezes não gostaríamos nós de o fazer?” Só com a fotografia isso é possível. E depois, há a fantástica possibilidade de impregnarmos os negativos (ou positivos) de emoções, não fosse a fotografia uma das mais importantes artes visuais.

Já foi professor muitas vezes, por isso responde com facilidade à pergunta ‘se fosse professor por um dia, o que gostava de ensinar?’. Na fotografia, já ensinou muitas vezes a componente técnica, fundamental para se conseguir transmitir emoções através da película. “Enquanto a tela de um pintor é branca e as cores e as formas preenchem o vazio, na génese de uma fotografia está o negro. Para fazermos nascer as formas, as cores, as texturas, há que iluminar os objectos, a paisagem, as pessoas”. E para isto, há que saber controlar a luz, dominar a técnica. Depois de dominada a técnica, há, no entanto, que esquecê-la e estar pronto para quebrar as regras instituídas. Só assim um fotógrafo será verdadeiramente um artista. Nesta fase da sua vida, é isto que gosta de ensinar, a quebrar as regras e a criar emoções. O mais difícil, confessa.

A nossa conversa termina a falar de uma instalação que criou e que junta as três disciplinas que guiam a sua vida: há nela um livro de García Lorca, um violino e um cavalete que, em vez de uma tela, tem um LCD onde passam alguns filmes seus. Esta instalação personifica assim a literatura, a música e as artes visuais, algo que considera o mais importante a ensinar a uma criança, nos primeiros sete anos da sua vida. Depois disso, haverá tempo para a matemática, o inglês ou as ciências.