João

O desenho é a sua maior paixão e é no estilo realista que derrama o seu traço. Adora retratar as pessoas que, de algum modo, ‘tropeçam’ na sua vida. De Kurt Cobain a José Saramago, há um mundo de vidas que inspiram o seu risco, seja ele a carvão, grafite ou esferográfica. Descubram-no nesta página de facebook: JLuciano – Desenho.

Gosta de acreditar que, um dia, vai fazer do desenho o seu modo de vida e que este país lhe vai dar as oportunidades que necessita para tornar este sonho em realidade. Como é óbvio, não vai ficar parado à espera que as coisas aconteçam e gosta de ir trilhando o seu caminho no sentido de fazer a sua arte chegar a cada vez mais pessoas. E quando se faz algo com paixão, as pedras no caminho ultrapassam-se com muito mais facilidade.

Mas o lugar de João no mundo das artes não se cinge apenas ao desenho. É também músico, guitarrista na banda Griever. A sua inspiração vai buscá-la a músicos como John Lennon (de quem já lhe disseram ser parecido) e a bandas como os The Doors. “Passa muito pela forma de ser destas pessoas e não necessariamente pela música que fazem”, partilha. “Gosto muito de escrita e gosto também de ler as letras criadas por estes artistas que considero verdadeiramente visionários”, complementa.

Deixamos um pouco o maravilhoso mundo das artes e concentramo-nos agora no mundo que nos rodeia. “Muitas das vezes, as pessoas têm a ideia que não conseguem mudar o mundo, pois procuram soluções que estão para lá do seu alcance”, diz de forma inteligente. Sente que são os pequenos passos do dia-a-dia que têm verdadeiramente a força para alavancar a mudança. Ainda há uns dias, estava sentado no café quando um senhor de barbas bravias se abeirou de si. Vindo do nada, com uma aparência que nos desperta, de forma inconsciente e imediata, uma atitude irreflectida de desacolhimento, começou a falar consigo. Passados aqueles primeiros segundos de desconfiança, pensou para si “vamos lá ver o que eu tenho para ouvir, o que é que eu posso aprender…” Falaram sobre várias coisas, principalmente sobre culinária e sentiu que era possível que, no meio daquelas pessoas que ali estavam, até um pouco incomodadas com a presença daquele ser humano, houvesse alguém que tivesse ficado tocado com a sua atitude em querer ouvir. A experiência foi importante para si, na forma de o ajudar a quebrar mais algum sentimento menos bom que tivesse enraizado no seu ser, mas também quer acreditar que terá sido bom para a pessoa que não se sentiu discriminada e pôde usufruir da plenitude que é ter uma simples conversa com outra pessoa. “Às vezes, é preciso usar a cabeça e não apenas o coração”, partilha. Um coração que às vezes se deixa contaminar, ainda que de forma involuntária, pelo preconceito.

Ainda filosofando sobre o comportamento das pessoas, acha fundamental que se passe urgentemente do culto do saber, para a liturgia do fazer. Sabe que isto é extremamente difícil de colocar em prática e que há uma distância quase infinita entre o saber e o fazer. Mas, também tem a noção que é um aspecto crucial para se conseguir alterar o paradigma actual das coisas. “Muitas pessoas sabem o caminho certo, tem as soluções para as coisas, mas depois não as colocam em prática”, partilha. Simplesmente, não o fazem. Porque é sempre mais fácil estarmos sossegados no nosso canto… É pena, reflectimos em conjunto.

A pessoa a quem actualmente dá a mão de forma apaixonada é, sem dúvida, a coisa mais especial que lhe aconteceu na vida. Daqui a 5 minutos pode até lembrar-se de outra, mas, neste momento, é justo dizer que a sua namorada é aquilo que mais o encanta. “Faz-me bem, pelas razões que todos nós sabemos: é amor e é bom”, justifica com entusiasmo.

O amor é também aquilo que mais o faz feliz. Considera isso um pouco cliché, mas depois de me ouvir dizer-lhe que é a primeira pessoa que tem a coragem de o afirmar, muda um pouco de opinião. “O amor pelas pessoas, por aquilo que nos rodeia, por tudo”, complementa. Acha que o amor não se reduz apenas ao afecto que temos pela pessoa de quem estamos enamorados. Pode efectivamente estar em todo o lado: “no diálogo com os outros, no saber perdoar, no saber tolerar”. Tudo sentimentos e acções que estão bem presentes na educação que recebeu dos seus pais.

Por falar nos pais, pergunto-lhe a característica mais bonita da sua mãe. “Da minha mãe?”, contrapõe pensativo. “Tem tantas”, diz enquanto pensa. “É uma pessoa muito forte, que raramente dá parte de fraca”, responde. E o pai? “É uma pessoa muito trabalhadora. E apesar de não parecer tão profundo, acho que tem um grande valor”, diz com presença de espirito. Sente que nunca deixou nada por lhes dizer. Faz questão que os pais saibam o que sente por eles e o que se passa consigo. E isso é meio caminho andado para uma família unida e feliz.

Terminamos à volta dos livros. O último que lhe ficou na memória chama-se “Sementes de Felicidade“, do filósofo búlgaro Mikhaël Aïvanhov. “Gosto muito de livros que tragam consigo mensagens espirituais e de obras filosóficas”, partilha. “És um homem de fé?”, aproveito para lhe perguntar. “Sim. Sou um miúdo de fé!”, conclui com um sorriso.