Joana

Quando era pequenina, sonhava ser astronauta. Mas depois, descobriu que para viajar até à Lua iria ter de dominar a matemática. Agora, com os pés bem assentes na Terra, apaixonou-se pelo design de interiores. Uma forma bem diferente de reinventar o espaço!

“Gosto de criar coisas, de personalizar, de decorar”, partilha com paixão. Para si, o design de interiores não passa apenas pela decoração. Há toda uma renovação dos espaços que é preciso fazer e com isso reinventam-se os lugares que habitamos, emprestando-lhes um caracter único que nasce da alma de cada designer. “O espaço está lá, mas nós oferecemos-lhe a luz, a cor e a forma. Dar vida a um espaço é muito interessante, porque de vazio nós já estamos cheios”, conclui de forma inteligente.

O sol do fim da tarde beija-lhe o rosto e pinta-lhe os olhos cor de avelã. “Gosto muito do calor, do sol, da luz”, partilha. A luz que é tão especial e tão característica da cidade que a viu nascer.

Adora a diversidade de que é feita Lisboa. Sendo uma cidade com um caracter turístico muito forte, há sempre um universo de pessoas e culturas diferentes a habitar a capital. Depois, há os azulejos, tão característicos desta cidade e que convocam tanta gente, de todo o mundo, para vir admirar a sua arte. “Sou fanática por azulejos”, confessa. Não consegue bem explicar como surgiu esta paixão, mas sabe que adora “os padrões, as cores, as combinações” e o caracter histórico que muito deles encerram na sua alma. Fica um convite para uma visita demorada ao Museu do Azulejo (www.museudoazulejo.pt) ali na Rua da Madre de Deus.

Gosta de passear pela zona da Baixa-Chiado e pelos bairros antigos, como Alfama, Mouraria e o Bairro Alto. Mas o seu sítio de eleição é mesmo a zona onde vive, com os seus dois miradouros que têm uma vista única sobre Lisboa: o da Senhora do Monte e o Sophia de Mello Breyner Andresen, antigo Miradouro da Graça, menos conhecido, mas que reúne as suas preferências.

O sorriso é algo que solta com brandura, enquanto as palavras se sucedem. Um sorriso sereno de quem está bem com a vida. “São as coisas mais simples que me fazem feliz. Estar com as pessoas que mais gosto… acho que, no fundo, é isso que realmente importa”, reconhece. Estar com os amigos e a família e fazer aquilo que lhe apetece é tudo o que precisa para estar bem consigo própria. E o que é que gosta de fazer? “Exercício físico, passear, fotografar”, partilha. O desporto faz parte da sua vida e não é raro vê-la a assistir a eventos de surf ou kite-surf. Nunca experimentou praticar estas modalidades, mas é algo que vai corrigir ainda este ano. Fazer e experimentar coisas novas é algo que tem a ver consigo!

E se estivesse à frente dos destinos do mundo por uma semana, o que faria? Isso seria uma responsabilidade do tamanho do mundo, confessa de imediato. Mas não iria fugir às suas responsabilidades, relata. Não é mulher para virar as costas, em especial a um tema que a preocupa verdadeiramente: a pobreza extrema. “É uma coisa que me tira fora do sério. É uma grande injustiça”, confessa. Sabe que não iria conseguir mudar esta realidade de um dia para o outro, mas era algo em que iria certamente concentrar esforços para que deixasse de existir.
E por falar em coisas que a tiram do sério, que mais não suporta que esteja presente na sua vida? “A hipocrisia”, responde com firmeza. “Quando eu vejo que as pessoas estão a ser falsas comigo, isso deixa-me fora de mim”. É tudo tão mais simples quando somos verdadeiros e tratamos as pessoas com o respeito e a autenticidade que elas merecem.

Acabamos com música. Se tivesse que escolher uma canção para servir de banda sonora a esta nossa conversa, qual seria? “Valerie“, original de 2006 dos britânicos The Zutons, na versão de inspiração mais soul e r&b da eterna Amy Winehouse.