Glauber

Entre a leitura e o desporto há uma ponte que atravessa o mar do seu tempo livre. Dos livros, adora os de História, seja ela do Brasil ou de Portugal. No desporto, é apaixonado pela bicicleta e pela bola de vólei.

A História é um tema recorrente na nossa conversa e nota-se a sua paixão pelo tema. Algo que também é partilhado pela sua mulher, fruto de um amor brasileiro descoberto em Portugal. Desde os reis aos castelos, é o carácter histórico dos lugares e das pessoas que o faz entregar-se à leitura, à viagem e à descoberta. Gosta de ver a memória bem preservada.

Viajar e descobrir é algo que também consegue equilibrar sobre as rodas da bicicleta. Sempre que pode, pega nela e dá umas voltas para libertar corpo e mente. É apaixonado por ciclismo e segue as grandes voltas na televisão. Está quase a começar o ‘Le Tour’ e estão garantidos longos serões em frente ao ecrã. O voleibol é outras das suas paixões desportivas e recorda com saudade os tempos em que o praticava. Gostava de jogar atrás, nas posições mais defensivas, mas, de vez em quando, também o podiam encontrar à entrada ou saída da rede, de braços bem esticados a bloquear os remates adversários ou de joelhos flectidos à espera do salto que fizesse impulsionar a bola rematada para o lado de lá. O desporto faz parte integrante da sua vida e isso deixa-o feliz e em paz com o ecossistema que o rodeia.

“Lisboa é fascinante”, diz como quem recita um poema. “Gosto do ar, dos parques e do castelo. Da mistura de cultura e de sabores. E, em especial, da dinâmica multi-cultural que existe entre os Lisboetas e os estrangeiros”. Deixou São Paulo, no Brasil, há quase uma década e não está nada arrependido de ter vindo para Lisboa. Acha que já nem se conseguiria adaptar à sua anterior cidade… Agora é Lisboeta. E, por falar nisso, o que acha dos Lisboetas? “São um pouco diferentes dos brasileiros, em termos culturais. Mas também existem semelhanças, como a língua e os gostos. A adaptação foi muito boa e a simpatia dos alfacinhas ajudou muito.” E uma característica menos boa? “Ah! Isso não se fala”, diz entre sorrisos. Talvez o facto de serem um pouco desconfiados, partilha. E quem faz este projecto todos os dias concorda consigo a 100%.

À pergunta ‘tempo ou dinheiro?’ responde de forma fácil e fundamentada. Preferia poder ser o dono do relógio para poder tomar as melhores decisões, sem a pressão do tic-tac. “Poder desfrutar plenamente de tudo um pouco”, com a sensibilidade que só a serenidade e a brandura permitem. Se ficasse com o dinheiro “podiam acontecer muitas coisas boas, mas também muitas coisas mais”, diz entre risos. O dinheiro é importante, “mas não é tudo na vida”.

Sentir a natureza, o sol; estar em comunhão com o exterior é tudo o que basta para o fazer feliz. É talvez essa a razão que o leva a voltar com frequência ao Parque Eduardo VII. A este e a outros espaços verdes da capital. “Estar em sintonia com tudo à minha volta é o mais importante”, reflecte.

É um homem de fé. Acha difícil poder caminhar sem ela. “Acho que todo o mundo tem um pouco de fé. Às vezes não expressada. Mas lá no fundo, todos temos um bocado de fé”, diz serenamente.