Ekaterina

“Nunca desistir”, seria o título para o filme da sua vida. Acabava bem, de forma feliz, está claro. “Quando atinges algo, porque nunca desististe, o final só pode ser feliz”.

Gosta muito de ler. É assim que passa a maior parte do seu tempo. Lê tudo: jornais, revistas, livros… Está em Portugal desde Novembro, depois de ser ter apaixonado e casado com um português. Deixou Ivanovo – a cidade das noivas – e passa agora uma parte do dia a aprender a língua de Camões e a restante a pô-la em prática. Ler é, sem dúvida, a parte mais bonita do processo.

Hoje é dia de Feira do Livro, em Lisboa, e por essa razão pergunto-lhe que obra sugeria a compra. “Vou recomendar um livro antigo, grande, que não sei se têm aqui ou não… ‘Os Filhos do Capitão Grant‘, de Júlio Verne”. Adora o autor e as aventuras que relata nas suas magníficas histórias. Este, em particular, por ser sobre viagens, por ser sobre a procura incessante de quem nunca abandona, é realmente vibrante. Às páginas tantas, Grant afirma que ‘a coragem substitui tudo nesta terra’. Em linha com o título do seu filme, talvez seja por esta bravura que Ekaterina se enamorou tanto por este livro.

Considera que o maior atentado à liberdade são os hábitos das pessoas. “As pessoas não gostam de mudar as suas vidas e isso impede-as de tentar”, diz com inteligência. Pode parecer senso-comum, mas na realidade, esta resposta tem muito para contar. No final, são sempre as pessoas que limitam a liberdade: a sua e a dos outros…

No seguimento deste tema, falamos um pouco sobre o estudo de Hofstede sobre a cultura dos países. Nesse estudo, Portugal aparece à frente como dos mais adversos à mudança (99 em 100). Mas Ekaterina não concorda nada com o psicólogo holandês. “Se vocês tivessem receio da mudança nunca tinham descoberto o Brasil… nunca tinham partido à descoberta do mundo. Foram cinco séculos de conquistas e não um momento isolado na história”, reflete. Pensa que é mesmo uma característica do povo português. Quem terá razão? Ekaterina or Geerte? Prefiro acreditar na minha parceira de conversa.

Falando agora de Lisboa, adora a arquitectura da capital. Embora não seja arquitecta conta-me que todas as raparigas gostam de coisas bonitas. Está explicada a sua paixão pela arquitectura. Não entende como é que o Pavilhão Carlos Lopes está no estado de degradação que apresenta. Quem é que entenderá…? “É um edifício lindo, com os seus azulejos. Sinto pena por este edifício…”, partilha. Gosta da zona da Baixa, do arco da Rua Augusta, da Praça do Comércio. E de Alfama. “É tudo tão bonito”, finaliza com um sorriso.