Catarina

Há uma frase de Nelson Mandela que está escrita no seu coração: “o que conta na vida não é o simples facto de termos vivido, mas sim a diferença que fizemos na vida dos outros“.

E é este sentimento que a empurra para a frente e lhe ensina que a vida é como uma escultura que vamos moldando com a ajuda de todos, um dia de cada vez.

As pessoas são a principal razão pela qual gosta de Lisboa: tem cá a família, os pais e todos os amigos. Também gosta do clima, nem muito frio, nem muito quente e do centro que considera muito bonito e diferente. Diferente no sentido da sua monumentalidade e do espaço que convida ao passeio e ao lazer. Os turistas que o invadem a toda a hora concordam certamente consigo, no seu constante deambular pelas ruas da baixa.

Lisboa é também o sítio ideal para ir às compras com a mãe, algo que gosta muito de fazer. Não há cidade no nosso país que com ela rivalize em termos de oferta comercial. Mas nem só de compras vive a paixão pela sua terra. Locais como a Gulbenkian, Belém ou os jardins do Parque Eduardo VII são sítios que gosta de descobrir, especialmente quando bem acompanhada. E no final do dia, nada melhor do que sentar-se para um repasto num dos seus restaurantes preferidos do Bairro Alto: o Casanostra.

A família é porto seguro e pedra basilar na sua vida. Conta-me das visitas frequentes à capital do Ribatejo para visitar os avós. “A minha mãe está sempre a ligar à minha avó”, partilha. “Somos bastante unidos.” E o que é que acha que a mãe lhe ensinou que nunca vai esquecer? “A ser responsável e a ter as minhas próprias ideias”, diz com serenidade. O pai, pessoa que admira pela sua capacidade de trabalho, procura também ensiná-la a ser ela própria e a não ter medo de trilhar o seu próprio caminho. Mais do que um futuro que lhe possa trazer abundância financeira, o que lhe tenta incutir é a procura por um caminho que a conduza à felicidade e a uma carreira que possa abraçar com paixão.

Fala do pai e da mãe com carinho, mas os seus olhos emocionam-se com ternura ao falar do irmão Miguel. Pergunto-lhe se têm aquelas brigas encantadoras entre manos, mas ela contrapõe que bulhas é coisa muito rara na relação entre os dois. “Só aquelas pequeninas…”, diz entre sorrisos. Embora ele tenha o condão mágico de a ‘chatear’ quando está enervada e de, pelo contrário, ser um anjinho quando ela está calma, o seu irmão é um dos principais nutrientes da sua felicidade. “É bastante inteligente, ensina-me muitas coisas que normalmente os irmãos não ensinam aos mais novos. Seria uma pessoa muito diferente se não o tivesse ao pé de mim”, partilha com um brilho verdadeiramente especial.

E para além do mano, que mais precisa para se sentir feliz e soltar o seu bonito sorriso? “Descansar, estar com os amigos, estar de férias, aprender coisas novas, falar com pessoas novas…”, diz de seguida. Hoje, está feliz, pois consegue estar a fazer muitas das coisas que acaba de partilhar.

Ainda está indecisa se vai seguir direito ou turismo. Gostava, por isso, de frequentar um dia aberto e colocar-se na pele de uma jurista ou de uma técnica de turismo, de modo a poder perceber o que realmente gostava que lhe preenchesse o futuro. Neste momento, a escolher, talvez se voltasse para a lei e perseguia uma carreira na área do direito. “Os advogados são pessoas que falam sem ter medo de dizer as coisas” e isso apaixona-a. Ser uma pessoa de convicções é mesmo muito importante para si.

Acabamos a nossa conversa na sala de cinema, algo que gosta muito de fazer, não só com a mãe, mas também sozinha. Há um filme que se plantou de forma profunda na floresta das suas memórias mais preciosas, uma obra comovente e diferente de todas as outras: “O Grande Peixe“, de Tim Burton.