Carlos

Olha para os jovens de hoje como pessoas verdadeiramente livres que têm as oportunidades necessárias para criar, inovar e fazer valer as suas ideias.

Recorda que no tempo da ditadura, há pouco mais de 40 anos, isto não era possível. Por essa razão, pensa que a malta dos 18 tem tudo o que precisa para mudar o mundo. E isto, dizemos nós, é um pensamento maravilhoso!

Por outro lado, também sabe que o pessoal bebe demais, fuma demais – infelizmente, não só tabaco – e perde-se demais. Acha que “as pessoas se podem divertir sem fumar, sem vícios, sem beber até cair para o lado”. Acha incrível como é que há colegas seus que conseguem, nesta idade, fumar dois maços por dia…

Quando era pequeno, gostava de jogar à bola. O seu sonho era mesmo ser jogador de futebol. “Tal como todos os miúdos com menos de 16 anos”, sugere. À medida que foi crescendo, começou a trocar os relvados e os pátios pelo quarto e pela sala: os jogos no computador e na consola substituíram as brincadeiras de rua. Actualmente, prefere encarnar o papel de Mourinho no ecrã do computador ou o de um agente especial na playstation.

Mas a sua vida não se confina às quatro paredes da sua casa. Gosta de sair, de estar com a namorada e os amigos. Adora também ouvir música, em especial quizomba e música brasileira. O seu cantor favorito é o norte-americano Chris Brown.

A família, os amigos e a namorada são tudo o que precisa para estar bem com a vida. É fácil, por isso, perceber, que as pessoas representam algo de muito importante na sua ligação ao mundo. Essa é, certamente, a razão pela qual deseja seguir relações públicas. Isso e o próprio exemplo do seu pai. Os exames do 12º ano que o conduzem à vida universitária correram bem, sendo que é no de História que deposita as maiores esperanças. “O de Português era mais complicado”, partilha.

“Gostava de ir lá para fora”, diz em jeito de desafio. “Eu gosto de Portugal, mas sinto que não há muitas oportunidades de emprego”, confessa. Embora ache que o nosso país não está tão mal como a Grécia, sente que economicamente o país está numa encruzilhada. É o excesso de notícias sobre o tema a contrapor a força da sua juventude.

Se pudesse enviar uma mensagem aos nossos políticos, gostava de os ver passar mais tempo a apresentar soluções e a procurar consensos e menos a fazer ‘politiquice’. Sente que gastam demasiada energia em ‘conversas fiadas’ e muito pouca a arranjar soluções para o país. “Vêm aí as eleições e gostava de perceber com clareza o que os partidos se propõem realmente a fazer. Mas o que eu acho, é que eles não vão fazer nada…”, conclui.

Terminamos a falar da sua terra. “Lisboa é o centro de Portugal”, diz com convicção. Gosta de aqui viver porque há sempre coisas novas a acontecer. No resto do país, sente que a rotina é sempre a mesma, enquanto que em Lisboa, a novidade tem sempre um lugar de destaque. Adora passear pela Baixa e pela zona do Parque das Nações, com a sua proximidade ao rio e a sua arquitectura moderna. O Liceu Camões é outro dos locais especiais para si. Um local que considera estar “a cair de podre” e que tem sido um pouco abandonado pela autarquia, em detrimento de outras escolas como a Filipa de Vilhena ou o Pedro Nunes. Pede ao senhor Presidente da Câmara, se o estiver a ler, que se lembre da sua escola na próxima leva de investimento público e que lhe dê a cara nova que uma escola com toda aquela história, sem dúvida, merece.