Anilza

Tudo a apaixona em Lisboa. É o carácter citadino de uma grande cidade que a faz enamorar-se pela capital, sempre com tanta coisa para fazer. Gosta de passear pela Baixa-Chiado, pelo cais. Mas o seu sítio de eleição é Algés e a zona junto ao rio.

Está à espera de alguém, mas aceita falar comigo. Começo por lhe perguntar, o que a faz perder a noção do tempo. “Ouvir música”, responde instantaneamente. Gosta principalmente do som ritmado do R&B. As suas referências são Jhené Aiko, Drake, Chris Brown e Beyoncé. Se tivesse de escolher um disco, para ouvir em loop até ao fim da sua vida, seria certamente o album de 2013 da americana Jhené. O título? ‘Sail Out‘.

Com um constante sorriso no rosto e uma serenidade contagiante, partilha o que realmente a vai preocupar quando for velhinha, bem para lá dos 70 anos. Os netos. Os filhos. Em resumo, a família. A família é muito importante para si, em especial porque nasceu e cresceu no seio de uma grande. A sua mãe é a eterna referência.

Entretanto, a pessoa que estava à espera chega. Anilza pede-me para aguardar um segundo. Depois, faz-me sinal que tem de ir com ela a um lugar, mas que já volta.

Uns minutos depois, cumpre a sua palavra, e está de volta às Faces de Lisboa. Indício que a sua palavra é mesmo algo para levar a sério. Tal como o seu sorriso…

E o que a faz sorrir? “Não sei… tanta coisa! A minha mãe, as minhas amigas, o meu gato!”, partilha com a alma cheia de luz. E porquê é que essas pessoas a fazem feliz? “Porque dizem coisas engraçadas”, responde. Está a falar, é claro, das suas amigas. A sua mãe, fá-la sorrir, simplesmente, porque é a sua mãe.

Falando de coisas mais sérias, considera que o facto de não se poder exprimir é o maior atentado à liberdade. Às vezes, também lhe acontece não poder exprimir-se. Mas é ela, muitas vezes, que impõe a si mesmo esse condicionalismo. “Temos que pensar antes de falar, pois as palavras têm consequências…”, afirma com inteligência.

A nossa conversa acaba, uma vez mais, com a presença do génio da lâmpada. O que pedia Anilza para a pessoa que mais ama? “Isso é fácil! Que a minha mãe viva para sempre.”