André

Alentejano de corpo e alma, vive no Príncipe Real e é um dos criadores de um projecto que gira à volta de um fruto mágico: o medronho.

Se ficou curioso e, como eu, é fã de medronho, então fixe esta marca: MD. MD de Medronho, claro está. O sítio na internet vem a caminho mas podem espreitar a página de Facebook aqui. André pensa que o projecto “tem pernas para andar” e por isso decidiu entregar-lhe as suas competências ligadas às artes visuais para o fazer medrar. Ainda está no início, mas o cuidado com que a imagem e a ideia estão a ser desenvolvidas, já nos faz suspirar pelo precioso líquido que vai crescer aprisionado nas bonitas garrafas adornadas pela esfinge de carácter nobre de um belo lince ibérico. O medronho, como não podia deixar de ser, vem do Alentejo – a terra mãe do trio de sócios –, mais precisamente da zona de Almodôvar, onde a produção de medronheiros é referência no nosso país. Um projecto verdadeiramente apaixonante.

Está de volta à capital há sensivelmente um ano, depois de a ter deixado à cinco para voltar à cidade que o viu crescer: Évora. Para trás ficou a família, de quem sentes saudades, e a boa comida a horas certas, algo que perdeu, por certo, numa das sete colinas de Lisboa. Estudou Artes Visuais e uma das razões porque está em Lisboa, para além do trabalho, é a continuação dos seus estudos. Quer fazer evoluir o seu conhecimento no ramo das artes e, em especial, do marketing ligado às artes. Isto para poder capitalizar nas competências associadas ao MD. Ligar o conceito do produto ao mundo das artes e promove-lo utilizando a Arte é o seu grande desafio.

Gosta de passar o seu tempo livre a pintar. Durante o período universitário, não pintou quase nada, pois faltava-lhe o tempo. Recentemente, voltou a pegar na paleta e nos pinceis e voltou a recordar-se porque decidiu seguir esta área. As suas referências caem todas em artistas dos últimos 20 anos. Nomes como Futura 2000 ou Kaws são grande fonte de inspiração.

Deixamos agora os medronhos e as artes para aterrarmos de pés bem assentes em Lisboa. O que acha Tiago da capital portuguesa? “O que gosto é o mesmo que não gosto”, expõe de forma calma e enigmática. “É mais acelerado do que de onde vim. Claramente, temos muito mais hipóteses de nos mexer. É difícil estar parado em Lisboa”, partilha. Em Évora, era uma pessoa mais sossegada e, agora, não consegue estar quieto. “Lisboa puxa por uma pessoa!”, conclui. Sente que já evoluiu mais neste último ano em Lisboa do que os três que passou na faculdade. Considera este ritmo importante para o despertar da sua criatividade. “Claro que há dias em que é demais, mas depois há aqueles que te dão aquilo que precisas para viver, para evoluir”, racionaliza de forma inteligente.

“Um Alentejano na Capital” seria um bom título para o filme da sua vida, mas realmente mágico seria o seu final. André imagina-se de volta ao seu Alentejo, na sua quinta, bem sucedido e feliz, com mulher, cão e três filhos. E uma garrafa de medronho, acrescentamos nós! A banda sonora? “Good Kid, m.A.A.d City“, de Kendrick Lamar.