Alberto

“Muito raramente a vida acontece como planeamos. Mas isso, não tem de ser necessariamente mau.”

Ainda no domingo passado, dia em que José completava um ano de vida, escreveu esta frase. Escreveu-a num livro, juntamente com outros ensinamentos que vai deixar ao ser mais bonito do mundo e que, actualmente, ainda lhe rouba algumas noites de sono.

Também por causa do José, colocou em pausa algo que adora fazer e que o faz esquecer por completo o passar do tempo: bailar. Juntamente com a sua cara-metade, gosta de se aventurar por entre os passos de dança da salsa, da kizomba ou do chachachá. Já lá vão uns anos de aulas e prática em conjunto.

A sua mulher é também responsável pela sua paixão pela fotografia, em especial na vertente de vida animal. De quando em vez, carregam os dois uma pesada objectiva de 400mm f/2.8, de foco manual, e partem à procura dos animais que mais os apaixonam. “Um vício caro”, confessa.

Actualmente, o ponto de foco está sempre no José e cada minuto que passa é momento para verdadeiras descobertas. Tão ou mais apaixonantes que a dança ou a fotografia. A seu tempo, hão-de voltar a esses outros mares.

É do Benfica. Nem que seja porque mora ao pé do estádio! É o seu clube de bairro. Mas não liga muito ao futebol. Já nem se lembra quando foi a última vez que viu um jogo. Prefere os desportos norte-americanos, como o futebol americano ou o hóquei no gelo. Também gosta muito de atletismo de fundo e ginástica desportiva que já praticou em tempos.

E se pudesse voltar atrás, fazia algo diferente? “Interessante… nunca tinha pensado nisso. E o facto de nunca ter pensado nisso parece justificar que nada faria de diferente”, partilha. É feliz. Tem amigos, mulher e filhos. Tem emprego, um tecto e comida na mesa. Não é rico, mas vive de forma equilibrada e não sente que algo lhe falta em termos económicos. Em resumo, está bem. “E se no presente estou bem, não faz sentido mudar o passado”, remata com inteligência.

É também de forma inteligente que a conversa continua. Dialoga com a serenidade de quem está bem com a vida e com a sinceridade de alguém que partilha o que é de forma pura. A feira do livro está quase aí e aproveito para lhe pedir que me recomende um livro. A ‘Crítica da Razão Pura‘, de Immanuel Kant. “É interessante como resolve de forma fácil a ética e a realidade”, refere. Podemos não conseguir provar a existência de Deus, mas também não somos capazes de mostrar que Ele não existe. Desta forma, o que há a fazer é simples, diz-nos Kant: se acreditas que existe, vive de acordo com essa fé. Se não acreditas, vive de acordo com aquilo em que acreditas.