Aires

Se estivesse à frente dos destinos do Mundo por um dia, teria diante de si uma tarefa bem difícil, pois considera que há muito para fazer. Iria, com certeza, concentrar os seus esforços em atingir o pleno emprego.

Como quase todos os jovens, também já contribuiu para os números do desemprego. Sabe, como ninguém, o que é enviar mais de vinte currículos por dia sem receber uma resposta. “Sentimos que não valemos nada”, desabafa. Por isso mesmo, deseja que todos tenham um emprego, como acabou por encontrar. E sintam a realidade de serem verdadeiramente úteis.

É também nisto que vê a diferença entre viver e existir. Para viver, é preciso ter objectivos e persegui-los de acordo com os padrões que escolhemos. Existir é apenas a negação de tudo isto… Actualmente, mais do que viver, sente que existe. Mas luta cada dia para poder viver mais, fazer mais e ter mais oportunidades.

Considera que um dos maiores atentados à liberdade é impedir alguém de sonhar e de perseguir esse sonho, algo que por vezes também sente na pele. Também o facto de não conhecermos os nossos limites pode ser castrador da liberdade. “Quando os nossos limites nos ultrapassam, corremos o risco de invadir a liberdade da outra pessoa”. E todos sabemos que a nossa liberdade acaba na linha exacta em que começa a da outra pessoa…

Se o génio da lâmpada lhe oferecesse um desejo para a pessoa que mais gosta, o que pedia? “Que seja feliz ao meu lado”, responde com serenidade. E é com a mesma serenidade e simpatia que conta porque é que a música ‘Life‘ de Des’ree é tão importante para si. Quando era ainda criança, na sua Angola natal, lembra-se de cantar “Mãe, oh mãe” no refrão, com a pureza de um pequeno a descobrir a música pela primeira vez. Quando veio para Lisboa, já com os conhecimentos de inglês no sítio, encontrou de novo esta canção. Agora, já canta “Life, oh life”, de forma afinada, mas a mãe, que já não vê há 15 anos, está sempre no seu coração. E na canção.